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Lesnar vs. Overeem: gigantes em ação (Foto: UFC) |
Nesta sexta-feira (30), o Ultimate Fight Championship
vai assistir a um dos maiores duelos de sua história – literalmente. Os
gigantes Brock Lesnar, americano, e Alistair Overeem, holandês, farão o combate
principal do UFC 141, que acontece na tradicional MGM Grand Garden Arena, em
Las Vegas. E, não bastasse o atrativo de ver, frente a frente, uma guerra entre
o ex-campeão do UFC (Lesnar) e o atual campeão do Strikeforce (Overeem), a luta
tem mais um atrativo: quem vencer se credenciará para enfrentar o brasileiro
Junior Cigano pelo cinturão dos pesos pesados.
Os dois lutadores possuem históricos bem distintos no
MMA – enquanto o americano possui apenas sete lutas no cartel, o holandês já
tem mais de 40 –, mas uma característica em comum: muito do sucesso de ambos
deve-se mais à força física que possuem do que propriamente às qualidades técnicas
que deveriam possuir. Senão, vejamos.
Brock Lesnar é uma estrela do wrestling americano, que
já teve passagem pela NFL (a liga profissional de futebol americano), tem 1m88
e pesa naturalmente 129 kg (embora, na pesagem oficial, não possa passar dos
120 kg. Foi contratado por Dana White para ser o astro de uma categoria carente
de grandes nomes no UFC. Era necessário dar uma força, literalmente, aos
pesados. Nas seis lutas que fez no UFC (tinha estreado no MMA no evento
Dynamite!!!), venceu 4 e perdeu 2.
É bem verdade que nunca pegou moleza (Frank Mir duas
vezes, Randy Couture, Heath Herring, Shane Carwin e Cain Velasquez). Mas
mostrou sérias limitações, inclusive de queixo, especialmente em suas lutas
contra Carwin e Velasquez. De todo modo, venceu uma – Carwin, após ser surrado
no primeiro round –, e perdeu outra – Velasquez, sendo humilhado no primeiro
round. Após mais de um ano afastado devido a um sério problema de saúde, volta
ao UFC.
Alistair Overeem, experiente lutador do Pride, dono de um
cartel extremamente irregular, sempre flutuou entre os meio-pesados e,
acreditem, os médios durante dois terços de sua carreira. Foi entre os médios,
por exemplo, que venceu Vitor Belfort com uma guilhotina (em 2005) e perdeu
para Maurício Shogun, por nocaute técnico, no mesmo ano, ambos em combates pelo
Pride. Entre os meio-pesados, entre 2006 e 2007, sofreu três derrotas
consecutivas para brasileiros: foi nocauteado por Rogério Minotouro e Maurício
Shogun (na revanche entre eles), e finalizado por Ricardo Arona. Com um recorde
de 25-10, moveu-se definitivamente para os pesados e começou a ganhar peso de
uma maneira incrível.
Desde que se fixou entre os pesos pesados, Overeem já
realizou 13 lutas, com 11 vitórias, 1 empate e uma derrota. Derrotou com
propriedade nomes conhecidos como Mark Hunt, Gary Goodridge, Brett Rogers e
Todd Duffee. No entanto, não venceu nenhuma grande estrela da categoria até
hoje. Contra Sergei Kharitonov, foi nocauteado. Contra Mirko Cro Cop, a luta
foi declarada “no contest”. O único nome realmente de maior força que ele
venceu – repito, entre os pesados –, foi o brasileiro Fabrício Werdum, por
pontos, em seu último combate.
É claro que ver dois
gigantes, cujas vitórias, em sua maioria, se dão por conta da força fenomenal
de ambos, é um atrativo fenomenal – um presente do UFC para os fãs do esporte,
sem dúvidas. E não restam dúvidas de que ambos podem ser campeões do UFC – como
Lesnar já provou isto. Mas a verdade é que estamos diante de dois Golias, que
têm conseguido fazer frente há alguns Davis apenas esforçados ou que têm medo da
força de ambos – e são derrotados por isso. Qualquer um dos dois que vença – e,
desde já, faço minha aposta em Brock Lesnar – deve sucumbir à força dos punhos
de Junior Cigano.